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O rock progressivo da Banda YES – uma viagem astral, escreve Wagner Borges – Parte 1 de 4

As Bandas que faziam sucesso com o YES em 1973

Por Wagner Borges

O ano era 1973. O rock progressivo estava em seu auge.Bandas como Pink Floyd, Yes, Emerson, Lake and Palmer, Moody Blues, King Krinsom, Jethro Tull e outros estão na crista da onda. Foi uma época de grandes realizações musicais dentro da corrente progressiva.

Muitos clássicos do gênero foram gestados nesse período, tais como: “The Dark Side of The Moon” (Floyd), “Selling England By The Pound” (Genesis), “Tales From Topografic Oceans” (Yes) e tantos outros.

É sobre esse último que comentarei. Inclusive, porque essa obra maravilhosa do Yes ainda não é bem compreendida até os dias de hoje. Conheço admiradores do grupo que simplesmente abominam esse disco. No entanto, há muitos que consideram esse trabalho no mesmo nível de “Close To The Edge”.

Outro dia, conversando sobre rock progressivo e temas espirituais com o Marcos, editor do “Metamúsica”, contei-lhe a história de como Jon Anderson escreveu as letras desses “Contos Para Oceanos Topográficos” e quais foram os motivos que o levaram a escrever esse épico sonoro que remete o ouvinte atento à uma verdadeira “viagem espiritual progressiva” pelos caminhos da música e dos sonhos luminosos.

Desse nosso papo, surgiu a ideia de escrever um texto elucidativo sobre a produção desse disco, detalhes sobre a banda na época, seus voos sonoros e as viagens pelo terreno das aspirações espirituais.

Ao longo dos anos, tenho explicado a vários alunos um pouco da alma de “Tales…” e suas repercussões dentro da própria banda. Por isso, de maneira a facilitar minha exposição sobre o tema, alinhavei o assunto em perguntas e respostas, de maneira bem simples e objetiva.

Antes disso, vamos a uma pequena introdução:

– Em 1973, o Yes estava em turnê internacional. Na esteira do sucesso de “Yes Album” (1971), “Fragile” (de onde surgiu o hit “Roundabount”; 1971) e “Close To The Edge” (sua obra mais fantástica; 1972) o grupo viajou bastante e fez muitos shows (dessa turnê surgiu o disco triplo ao vivo “Yessongs”).

Durante essa turnê, enquanto estavam no Japão para alguns shows, Jon Anderson leu o livro “Autobiografia de Um Iogue”, do mestre hindu Paramahansa Yogananda, e simplesmente viajou nos belos ensinamentos ali contidos. Inspirou-se e começou a escrever alguns temas baseados naquilo que lia. O livro contava as experiências espirituais de Yogananda em contato com diversos mestres da Índia. Falava daquela viagem espiritual na busca da paz, de Deus, do encontro consigo mesmo e da expansão da consciência na luz.

Anderson nunca escondeu suas tendências espiritualistas, tendo, inclusive, colocado no disco “Time And World” (1970) uma música que narrava uma viagem astral (experiência fora do corpo, projeção da consciência, onde a pessoa percebe-se fora do próprio corpo, manifestando-se nas dimensões espirituais). Essa música chama-se “Astral Traveller” (“Viajante Astral”). Ela aparece também na coletânea “Yesterday” (1975).

Em seus discos solos, essa tendência fica mais transparente ainda, principalmente em “Olias of Sunhilow” (1976) e “Song of Seven” (1980).

Posteriormente, no disco “Anderson, Bruford, Wakeman e Howe” (1989), em que houve uma discussão com Chris Squire (baixista e co-líder da banda, pedra fundamental da existência e manutenção dessa entidade musical chamada Yes) pelo uso do nome do conjunto, Anderson deu altos vôos espirituais nas letras das músicas, mas, dessa feita, de maneira bem menos ostensiva (como exemplo disso, a música “Big Dream”).

Já na década de 1990, ocorreram várias discussões entre eles. Anderson que cada vez mais queria falar de temas etéreos nas letras, e Squire e Trevor Rabin (guitarrista, compositor e produtor do Yes entre 1983 e 1995), que queriam mais peso e pé no chão nos movimentos musicais da banda.

Quando esteve no Brasil em sua turnê solo em 1993, mais especificamente em São Paulo, ele deu uma entrevista para uma revista falando de suas inclinações espirituais.

Pois foi influenciado por sua busca espiritual, que Anderson escreveu “Tales…”

Quando o disco saiu, vendeu muito nos primeiros dias e alcançou um bom posto nas paradas inglesas. Contudo, boa parte dos fãs se decepcionaram. Na verdade, não entenderam o conceito do álbum e não sacaram o pano de fundo das letras. Além disso, o disco (duplo) continha apenas quatro músicas imensas, o que dificultava sua execução nas rádios. Acredito que se fosse um disco simples e com músicas mais curtas, teria sido um grande sucesso de público.

Para o ouvinte mais atento, independentemente do teor das letras, “Tales…” contém algumas passagens instrumentais memoráveis, principalmente nas seções a cargo de Rick Wakeman, principal responsável pelo clima etéreo de vários trechos da obra. Muito embora ele não concordasse muito com uma obra desse gênero, ele trabalhou corretamente e fez sua parte a altura do seu talento.

Aliás, diga-se de passagem, em matéria de talento, o Yes sempre foi privilegiado. Seu principal guitarrista, Steve Howe, sempre foi considerado um dos maiores guitarristas do rock. Rick Wakeman, virtuose dos teclados, simplesmente um dos maiores tecladistas do planeta. Jon Anderson e sua voz maravilhosa, capaz de fazer inveja aos anjos da música. E Chris Squire, um dos baixistas mais dignos da história do rock (seu único disco solo, “Fish Our The Waters” (1975) é um clássico). A conjunção desses virtuosos elementos em uma banda (lembrando ainda dos dois bateristas do grupo, o irriquieto e criativo Bill Bruford – 1968 a 1973, e o fiel e correto Alan White – de 1973 em diante), gerou sonoridades que até hoje encantam e emocionam as gerações mais novas.

Bibliografia:
– “Seventh Heaven Vol. 3” (revista argentina; há uma matéria especial sobre “Tales From topographic Oceans” nas págs. 1-20). Essa revista fundiu-se com a revista “Mellotron”, uma das melhores publicações de rock progressivo do mundo.
– Livro: “Yes, But What Does It Means”; Thomas J. Mosbo.
– Livro: “Yes, Uma Rara Música de Quinteto”; Décio Estigarribia; Editora Muiraquitã; Niterói, Rio de Janeiro.

Nota do Editor: Esta é a “Primeira Parte” de um total de quatro partes que o Jornal Caboclo publica, dividindo e adaptando, matéria originalmente publicada no Jornal Metamúsica Nº 09 – Ano 2000

– A próxima publicação, Parte2 está em:
http://jornalcaboclo.com.br/index.php/2019/04/23/o-rock-progressivo-da-banda-yes-uma-viagem-astral-escreve-wagner-borges-parte-2-de-4/ h

Astral Traveller = Viajane Astral

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Wagner Borges

Sobre o autor:  Wagner D’Eloi Borges, nascido no Rio de Janeiro em setembro de 1961 – é pesquisador espiritualista, projetor extrafísico, conferencista, consultor da Revista UFO e colaborador de várias outras revistas como, Sexto Sentido, Espiritismo e Ciência, Revista Cristã de Espiritismo, Caminho Espiritual, e Consciência Desperta.

É escritor – autor de doze livros dentro da temática projetiva e espiritual, dentre eles a série “Viagem Espiritual”, sobre as experiências fora do corpo.

É colunista do Portal Somos Todos Um – www.somostodosum.com.br, e do Site do IPPB: www.ippb.org.br, dentre outros.

P.S. : Os conceitos emitidos por artigos ou por textos assinados e publicados neste jornal são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.

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