“Estamos rompendo um silêncio”, diz pesquisador sobre 3ª Semana do Contestado

“Aos poucos estamos rompendo a invisibilidade imposta pelos vencedores ao Povo Caboclo do Contestado, além do silêncio de mais de cem anos sobre esse tema”.

A citação corresponde a um trecho de um comentário feito pelo pesquisador e professor Nilson Cesar Fraga em rodapé da notícia “Lebon Régis vai sediar 3ª Semana do Contestado: Centenário do Massacre Invisível”, publicada na edição do dia 17 de junho do Jornal Caboclo.

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A notícia destaca que o município de Lebon Régis se prepara para sediar entre os dias 17 e 20 de agosto a “3ª Semana do Contestado: Centenário do Massacre Invisível – 100 anos de luta e resistência cabocla.”

Membro do Observatório do Centenário da Guerra do Contestado – OCGC/UEL, da Universidade Estadual de Londrina, Fraga compõe a organização da anunciada 3ª Semana do Contestado ao lado de membros da Associação Cultural Coração do Contestado – ACCC, de Lebon Régis.

Destacado pelo lema “O sonho caboclo não se apaga”, o evento vai promover o lançamento oficial e apresentação do projeto do Complexo Turístico, Cultural e Ambiental do monge João Maria.

“Agradecemos a divulgação feita pelo Jornal Caboclo, acreditamos que será um sucesso, a exemplo das outras duas Semanas do Contestado, que promovemos no Trombudo do Contestado (Lebon Régis), além de outros eventos alusivos ao tema”, diz o pesquisador destacando a importância do tema em abertura de comentário.

“Convidamos toda a comunidade regional para participar das numerosas atividades que ocorrerão no Salão da Igreja Matriz de Santo Antônio do Trombudo”, acrescentou ele, que costuma trocar Lebon Régis, uma referência à controvertida figura do general catarinense Gustavo Lebon Régis, pelo nome histórico de Trombudo do Contestado.

Professor Fraga (Foto: Facebook pessoal)

Fraga ainda usa o espaço de comentário do Jornal Caboclo para destacar que “hoje, o povo deste município e da região do Contestado, já aceita o fato de os caboclos não serem jagunços, pois o povo caboclo foi atacado e se defendeu como pode, isso durante a Guerra do Contestado.”

Para o pesquisador, “há muito o que se fazer ainda [em termos de pesquisa e de conscientização histórica], mas estamos plantando sementes, principalmente, no coração das crianças do Contestado, para que desperte nelas, o orgulho de ser Caboclo, de ser Cabocla, de ser do Contestado!”

A programação da 3ª Semana do Contestado

Para saber da programação da 3ª Semana do Contestado: Centenário do Massacre Invisível ou para obter informações adicionais sobre o evento, clique aqui.

A íntegra do comentário do professor e pesquisador Nilson Cesar Fraga em rodapé da notícia “Lebon Régis vai sediar 3ª Semana do Contestado: Centenário do Massacre Invisível”:

Agradecemos a divulgação feita pelo Jornal Caboclo, acreditamos que será um sucesso, a exemplo das outras duas Semanas do Contestado, que promovemos no Trombudo do Contestado (Lebon Régis), além de outros eventos alusivos ao tema. Convidamos toda a comunidade regional para participar das numerosas atividades que ocorrerão no Salão da Igreja Matriz de Santo Antônio do Trombudo. As poucos estamos rompendo a invisibilidade imposta pelos vencedores ao Povo Caboclo do Contestado, além do silêncio de mais de cem anos sobre esse tema. Hoje, o povo deste município e da região do Contestado, já aceita o fato de os caboclos não serem jagunços, pois o povo caboclo foi atacado e se defendeu como pode, isso durante a Guerra do Contestado. Há muito o que se fazer ainda, mas estamos plantando sementes, principalmente, no coração das crianças do Contestado, para que desperte nelas, o orgulho de ser Caboclo, de ser Cabocla, de ser do Contestado!

O pesquisador Fraga, em Trombudo do Contestado (Lebon Régis) (Foto: Facebook pessoal)

Sobre Nilson Cesar Fraga

Pesquisador do CNPq/PQ. É Bacharel e Licenciado em Geografia, possui Mestrado em Geografia pela Universidade Estadual de Maringá (2000) e Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (2006). Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina e professor da pós-graduação na UEL, UFPR e UNIR-RO. Pesquisa temas ligados à Geografia Política, Território, Cultura e Conflito. Estuda as guerras da formação territorial paranaense desde 2011, com ênfase para a Guerra do Contestado, Guerra de Porecatu, Levantes dos Posseiros do Sudoeste e Chacina de Pitanga. Pesquisador da Região e da Guerra do Contestado desde 1994.

Entre os livros publicados pelo professor Fraga, destacam-se três que tratam de seu tema principal de pesquisa:

– Contestado, o território silenciado. 2ª. ed. Florianópolis, SC: Insular, 2017, 302p.

– Contestado, cidades, reflexos e coisificações geográficas. 1. Ed. Florianópolis, SC: Editora Insular, 2016, 559p.

– Vale da Morte: O Contestado visto e sentido – “entre a cruz de Santa Catarina e a espada do Paraná”. 2ª. ed. Blumenau, SC: Editora Hemisfério Sul, 2015, 155p

As obras foram oficialmente lançadas no dia 29 de maio no Instituto Federal Catarinense – campus de Videira, durante uma palestra intitulada “Contestado, a arqueogeografia na terra da guerra esquecida: fragmentos de um crime contra a humanidade”.

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Mensagem do editor:

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Um comentário em ““Estamos rompendo um silêncio”, diz pesquisador sobre 3ª Semana do Contestado

  • junho 29, 2017 em 10:24 am
    Permalink

    Bom dia Caboclo!
    Muito obrigado pela divulgação e pelo carinho para com o Povo do Contestado e sua história de resistência, resistência que será vista e sentida no decorrer da III Semana do Contestado.

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